Tábua, 28 de agosto de 2019 –
O vento, do alto da serra, despenteia-lhe os cabelos. A luz do sol brilha através dos parcos ramos de pinheiro que se enraízam ribanceira abaixo. E ela vive rindo-se de espirros de cães. Mas nada disto é primário, senão para terceiro – talvez até quarto – nível.
Sevilha está povoada de tendas e o rio, que separa a margem em que ela escreve da dos pedregulhos, está vividamente fervilhando de entusiasmo pela aventura de conhecer novas gentes e pelo misticismo causado pelo isolamento. E ela sente-se livre.
Cheira o vento que lhe arrepia os finos braços e sente a diferença de odores. A frescura, a autenticidade (quase que disfarçada) e a beleza da tentativa de misturar o urbano num meio natural.
Necessita escrever. Porque ouve passos que não vê, vê sinais que não lhe chegam e porque lhe chega agora o gosto por sentir o valor da solidão – não o quer perder. E porque todas estas palavras estavam destinadas a serem vivas.
Sofia Rainho

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