Figueira da Foz, 8 de janeiro de 2020 –
Foi o que me segredaste quando partiste. É aquilo que ouço no eco de cada dia que passa e que marca com maior profundidade a saudade que tenho de um nós.
Procuro com requinte que as palavras me ajudem a descrever-te, mas não vejo o fim desta jornada. A cabeça lateja com a chegada de um futuro sem clareza nem motivação de espírito.
A água reflete a transparência do teu ser. A sonolência leva-te para a minha inconstante distância. Quem me dera estar na tua roupa, nos teus olhos, no copo que seguras junto a ti, na pedra que se cola no teu sapato e cuja presença carregas sem te aperceberes.
Dizem que a morte acaba com uma vida e não com uma relação, mas pronunciar aquilo que fizeste às nossas é-me insuportável. Não me resigno.
Sinto o erro da cor que envergámos sem saber o que nos esperava, este bater de asas sem sentido.
Sofia Rainho

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