(e)s(t)ou confusa.

15 de janeiro de 2020

O imaginário desvaneceu-se. Deixei-o arrefecer. Tornou-se um hábito e não uma novidade. Esta rotina assusta-me. Nunca tinha pensado que me podia habituar a isto, a uma tua presença distante, a uma indiferença fingida que me corta a respiração (e estou constipada; portanto, imagina!).

O meu espírito vagueia por entre memórias e registos que me levam a um passado tão próximo como o dia de ontem, tão diferente de um presente que me consome, que me enoja, que rejeito.

Tal como a chuva que cai lá fora me lembra do que perdi, escrever relembra-me daquilo em que não decidi investir. Contudo, não deixas de ocupar os meus pensamentos, enjoas o meu dia-a-dia com a minha procura dos teus pronunciamentos vazios que tanto significam para a minha falta de entendimento. Cada dia me surpreende a tua natural novidade, o teu despreendimento, a tua humanidade.

E, apesar de saber que não serás minha, quero-te comigo sempre. Mas a minha honestidade frequentemente se trata de escapulir. Sempre senti liberdade para falar de tudo o que quiser contigo, mas agora tenho medo de não me ter aberto o suficiente. Só sei uma realidade: não te quero perder; não estou preparada para tal; e não me peças para abdicar de mim, não me quero perder (mais ainda).

Um futuro contigo é a maior incógnita que já tive na vida. É desconcertante, selvagem, carente. Acorda-me de sobressalto e sem aviso prévio. O que queres de mim?

Sofia Rainho

“Vai correr tudo bem”