Figueira da Foz, 23 de março de 2020 –
O momento do qual mais me arrependo na minha vida foi não te ter beijado – nessa noite, naquela tarde, no outro dia. E, depois, num reconfortante abraço que se seguiu, não ter ficado presa para sempre, enleada em teus braços.
Contigo, a vida é todo um espectro de sentidos e o arco-íris é ilimitado de sabores. Sem ti, é mais difícil ouvir o baque da dor vencendo a razão, capturar o cheiro da liberdade ou ver para além dos resquícios de luz que alimentam a chama que me faz escrever a estas horas.
Quando penso em contar-te como me sinto ao estar perto de ti, relembro quase sempre um episódio recente da minha existência no qual me apaixonei, numa loja de música, por um instrumento. Foram as circunstâncias – ou o destino? – que tornaram aquela determinada loja num espaço particularmente seguro, terno e suave. E é nesse aconchego da memória, qual caixinha com tampa cor de morcego, que te guardo só para mim.
Sofia Rainho


Deverá estar ligado para publicar um comentário.