Luxemburgo, 21 de março de 2025 –
Olho pela janela do comboio e procuro na paisagem os teus olhos.
Vejo o verde dos campos, o castanho das casas, o cinzento do céu e das estradas… mas não te vejo a ti.
Admiro a luz que emana das nuvens refletir nos riachos e a esperança com que a gente espera por entrar na carruagem… mas não te admiro a ti.
Vejo tanta coisa, mas não vejo nada ao mesmo tempo. Porque quero ver-te.
Ainda há poucas horas te vi – mas foi já há tanto tempo… em poucos dias te verei – mas falta ainda tanto tempo… Cada segundo que passa e que penso em ti parece desperdiçado e, ao mesmo tempo, aproveitado. Porquê? É óbvio…
Quando estou contigo, o tempo passa a correr. Quando não te vejo, é tudo tão lento e devagar… Menos quando me olhas nos olhos e depois para a minha boca e de novo os meus olhos – aí o tempo passa rápido e lentamente ao mesmo tempo.
Sinto-me estranha perto de ti. Quero ver-te, olhar-te, falar-te, beijar-te, querer-te. Por isso proíbo o meu corpo de mostrar todas estas vontades – não te posso ter porque não te mereço, porque talvez não me vejas da mesma maneira, porque estes pensamentos e sentimentos consomem-me demasiado e não me parecem muito saudáveis. Até voltei a ouvir Marília Mendonça para sentir que alguém mais no mundo compreende o que sinto…
Por quanto tempo será que verei os teus olhos quando fecho os meus?
Sofia Rainho