Esch-sur-Alzette, 3 de julho de 2025 –
Ontem sonhei que o meu pai morria. O meu avô também. Acordei em lágrimas, muito depois do despertador tocar – porque ele não tocou.
Os sonhos só trazem problemas. Levam-nos a imaginar coisas que não existem, realidades inventadas pela nossa cabeça…
Estou farta de fazer luto por quem não vale a pena. De chorar por algo que nunca poderia acontecer, porque a maioria das mulheres por quem me apaixono não apreciam a minha companhia da mesma maneira que eu. De ter que me embebedar para que as minhas emoções reais ressurjam – nesta mentira em que tento enterrar-me todos os dias que vivo em sobriedade. Odeio álcool, mas a verdade é que me faz sentir. Chorar. Abraçar-me e querer-me como ninguém mais me quer.
A vida é isto? Se não me atiro da janela é porque já decidi, há uns anos, que me entregarei ao mar. Sou do mar e de mais ninguém. Quando mais ninguém se importar por mim, será lá que encontrarei repouso eterno. Porque a mim o mar nunca me enganou. Porque seguindo-o, ele nunca me mentiu. Sempre me encarou com a serenidade que necessita a minha alma. Sempre me amou sem julgar os meus sentimentos.
Viver é isto? É não querer continuar este sofrimento, duvidar a cada segundo da credibilidade dos meus sentimentos, querer beijar uma mulher que jamais me amaria desta forma? Porquê? PorquÊ??? Se eu parar de respirar, quem vai reparar?
Sofia Rainho