Porto, 14 de dezembro de 2021 –
Ela fechou a janela do carro e continuou a olhar para o horizonte. O frio lá de fora sentia-se pelas frestas da janela. Lisboa, nesta altura do ano, tem algo de ventoso. Onde quer que pousasse os olhos, apenas via uma imagem. Um vazio. Muito negro.
— Que se passa? – perguntei.
— Nada.
Sempre aquela resposta seca, mas com tanta humidade.
— De certeza?
— Sim, não te preocupes.
Será que ela não sabe que me preocupo ainda mais por ela dizer isto? Parece que só dá respostas formatadas. Por outro lado, eu também só faço perguntas gerais. O que se passará connosco?
— Ok.
Zero killed. A verdade é que não é verdade. Alguns morreram. Foram mortos. Mataram-se. E esta é a sua história.
Sofia Rainho

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